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{Quinta-feira, Abril 24, 2008}

 

Ação cidadã é fundamental para garantir a aplicação da lei



O seminário sobre os direitos dos animais - Direitos Novos para Novos Tempos - realizado em Porto Alegre, na Faculdade de Direito da UFRGS, nos dias 10 e 11 de abril em curso, representa um ganho para a causa animal. O plenário de cerca de 230 pessoas aprovou (com 2 abstenções e 1 voto contra) a seguinte conclusão que transmite as reflexões finais do evento:

1. Toda prática que submeta os animais a crueldade é proibida pelo artigo 225, § 1º, inciso VII da Constituição Federal, norma de eficácia plena e aplicabilidade imediata.

2. Compete ao poder público e à sociedade brasileira fazer cumprir essas determinações constitucionais, abolindo o uso institucionalizado dos animais para consumo, entretenimento e atividades científicas.

3. São ilegítimas, por violarem frontalmente os princípios éticos da não-maleficência e da não-violência, a criação e abate de animais para consumo humano, vivissecção, rodeios, farra-do-boi, jardins zoológicos, rinhas de galo, caça, atividades circenses com uso de animais, veículos de tração animal, manutenção de aves aprisionadas em gaiolas, extermínio de animais em situação de abandono, uso de animais em testes na indústria química.

10:20 AM


{Quarta-feira, Abril 23, 2008}

 

Imagem dos defensores dos direitos animais e o livro do professor Tom Regan



Tenho percebido que a imagem que algumas pessoas (ou várias) têm a respeito dos defensores dos direitos animais, como os vegetarianos, é um tanto negativa além da medida. Por isso, vou reproduzir a seguir alguns trechos do livro que estou lendo, do professor emérito em Filosofia Tom Regan: Jaulas Vazias – encarando o desafio dos direitos animais (2006, Editora Lugano).

Nos capítulos que selecionei, o autor fala sobre como os defensores dos direitos animais têm sua imagem bastante distorcida e prejudicada pela grande mídia, influenciada pelas influentes e ricas indústrias que exploram as vidas dos animais não humanos. Assim, também existe o problema de se pensar nos defensores dos direitos animais com alguns estereótipos, como terroristas, negativos e arrogantes. Bem, basicamente o problema é de generalização.

Os trechos selecionados a seguir são cruciais para se esclarecer essas questões.

(Sobre o autor: Tom Regan publicou centenas de ensaios profissionais e mais de 20 livros; ao se aposentar, em 2001, recebeu a medalha William Quarles Holliday, a maior honra que a Universidade do Estado da Carolina do Norte pode conferir a um membro de seu professorado.
Para saber mais sobre a carreira dele, veja o arquivo de Direitos Animais Tom Regan, instalado pela Biblioteca de sua universidade: http://www.lib.ncsu.edu/animalrights/ Contato com ele: http://tomregan-animalrights.com/contact.html .)


A inverdade dos rótulos (p. 12-13)

“Os opositores acham que direitos animais é uma idéia radical ou extrema, e não raramente rotulam os defensores dos direitos animais de “extremistas”. É importante entender de que forma esse rótulo é usado como instrumento retórico para evitar a discussão informada e justa; do contrário, aumentam as chances de não termos uma discussão com esses atributos.

“Extremistas” e “extremismo” são palavras ambíguas. Em um sentido, extremistas são pessoas que fazem qualquer coisa para atingir seus objetivos. Os terroristas que destruíram as torres gêmeas do World Trade Center eram extremistas nesse sentido; estavam determinados a fazer de tudo para conquistarem seus fins, mesmo que isso significasse matar milhares de seres humanos inocentes.

Os defensores dos direitos animais (DDAs ou ativistas) não são extremistas nesse sentido. Vou repetir: os DDAs não são extremistas nesse sentido. Mesmo os mais combativos defensores dos direitos animais (os membros da Frente de Libertação Animal, digamos) acreditam que haja limites morais absolutos para o que pode ser feito em nome da libertação animal: certos atos nunca devem ser cometidos, de tão ruins que são. Por exemplo, a Frente se opõe a ferir ou matar seres humanos.

Em outro sentido, a palavra extremista se refere à natureza incondicional daquilo em que as pessoas acreditam. Neste sentido, os defensores dos direitos animais são extremistas. De novo, deixe-me repetir: os DDAs realmente são extremistas, neste sentido. Eles realmente acreditam que é errado treinar animais selvagens a representar atos para o entretenimento humano, por exemplo. Mas, neste sentido, todo mundo é extremista. Por quê? Porque há algumas coisas às quais todos nós (espero) nos opomos sem restrições.

Por exemplo, todos os que estão lendo estas palavras são extremistas, quando se trata de estupro; somos contra o estupro o tempo todo. Cada um de nós é um extremista quando se trata de abuso infantil; somos contra o abuso infantil o tempo todo. De fato, todos nós somos extremistas quando se trata de crueldade com os animais; nunca somos a favor disso.

A verdade pura e simples é que pontos de vista extremos são, às vezes, pontos de vista corretos. Assim, o fato de nós sermos extremistas, no sentido de termos crenças incondicionais a respeito do que seja certo ou errado, não oferece, por si só, razão para se pensar que estejamos errados. Então a questão a ser examinada não é: “Os DDAs são extremistas?” A questão é: “Eles estão certos?” Como veremos, esta pergunta quase nunca é feita, e, menos ainda, respondida adequadamente. Uma conspiração entre a mídia e alguns fortes interesses se encarrega disso.”


A mídia (p. 13-14)

“Como a mídia procura o que é sensacional, pode-se contar com ela para cobrir direitos animais quando alguma coisa bizarra ou fora-da-lei acontece. Membros da Frente de Libertação Animal (ALF, na sigla em inglês) explodem uma bomba num laboratório. Um ativista contra o uso de peles atira uma torta na cara de Calvin Klein. Este é o tipo de matéria que a gente costuma ver ou ler.

E quanto ao protesto pacífico de ontem, do lado de fora de uma loja de peles, ou à palestra sobre direitos animais na faculdade de Direito na noite passada? Isso raramente é noticiado. Notícias que não sejam sensacionalistas não “sangram” suficientemente para o gosto da mídia. Não admira que o público em geral veja os defensores dos direitos animais como um mero bando de palhaços e de desajustados sociais. Quase sempre, essa é a única mensagem que passa pelos filtros da mídia.”


A política de interesses específicos (p. 14-17)

“O fato de o público em geral tender a fazer uma imagem negativa dos ativistas dos direitos animais não resulta apenas do apetite da mídia pelo sensacionalismo; deve-se também ao material de que a mídia se alimenta, fornecido pelos relações-públicas das grandes indústrias de exploração animal. Por “grandes indústrias de exploração animal”, entenda-se: a indústria da carne, a indústria da pele, a indústria de animais para entretenimento e a indústria de pesquisa biomédica, por exemplo. As pessoas que trabalham nessas indústrias falam com uma só voz, contam a mesma história e usam até as mesmas palavras para denegrir seu inimigo comum: os extremistas dos direitos animais.

A origem do capítulo mais recente dessa história, aqui nos Estados Unidos, não é difícil de encontrar. Foi a publicação, em 1989, de um relatório da Associação Médica Americana (AMA) chamado “O Uso de Animais na Pesquisa Biomédica: O Desafio e a Resposta”. Entre as recomendações da AMA: pessoas que acreditam em direitos animais “precisam ser mostradas como (a) responsáveis por atos violentos e ilegais que colocam em perigo a vida e a propriedade, e (b) uma ameaça à liberdade de escolha do povo”.

Os DDAs têm de ser vistos como “radicais”, “militantes” e “terroristas” que se “opõem ao bem-estar humano”. Em contraste, pessoas sãs, sensatas e decentes devem ser mostradas como favoráveis ao bem-estar animal, entendido como o uso humanitário e responsável de animais por humanos e para humanos.

A estratégia da AMA era simples e inspirada. Se a percepção pública do uso de animais em pesquisas pudesse ser estruturada como uma disputa entre, de um lado, ignorantes extremistas, defensores dos direitos animais, que odeiam humanos e têm um apetite insaciável pela violência, e, do outro lado, inteligentes e moderados cidadãos que são os verdadeiros amigos da humanidade e favoráveis ao bem-estar dos animais, então os DDAs seriam repudiados e a ideologia do uso humanitário e responsável haveria de prevalecer.

Desde 1989, uma enxurrada de press releases, memorandos, e-mails, entrevistas coletivas à imprensa e websites condenando os extremistas dos direitos animais e elogiando os sensatos adeptos do bem-estar animal tem jorrado, direto da AMA e de outros escritórios de relações públicas da indústria de pesquisa biomédica, para as mãos de repórteres, diretores de reportagens e editores.

(...)

Funciona? Será que a mídia faz coberturas tendenciosas por causa de esforços como os da FBR [Fundação de Pesquisas Biomédicas, que produziu uma espécie de “cartilha para jornalistas”]? Antes de responder, vamos imaginar um pouco. Temos aqui um enérgico repórter, com seus quarenta e poucos anos, com a sorte de ter um emprego fixo; seu salário, junto com o da esposa, está longe de cobrir todas as suas despesas, agora que seus dois filhos estão matriculados em faculdades de prestígio. Seu campo inclui pesquisa biomédica. Todo mês ele recebe os folhetos com as dicas da FBR. Todo dia ele recebe a mais recente leva de citações autorizadas de “experts” que apóiam pesquisas usando animais. E em momentos oportunos, ele recebe uma lista atualizada das “atividades criminosas cometidas em nome dos 'direitos animais'”.

Então nos perguntamos: quais são as chances de esse repórter fazer uma matéria justa e imparcial sobre “a última descoberta científica usando animais”? Não estariam essas chances um pouquinho mais direcionadas para uma direção do que para outra? Será que deveríamos mencionar que entre os maiores anunciantes do jornal estão grandes indústrias que usam animais, incluindo interesses economicamente fortes (as grandes companhias farmacêuticas, por exemplo) representados pela FBR? Ou que os fundos de pensão do repórter investem pesadamente nessas mesmas indústrias, assim como os de quem publica o jornal e os do pessoal da editoria?”

(...)

“O fato é que muita gente tem uma imagem negativa dos direitos animais porque grande parte da mídia mostra os defensores dos direitos animais sob uma luz desfavorável.”


Muitas mãos em muitos remos

O chega-pra-lá do “anti” (p. 229)

“(...) os defensores dos direitos animais são vistos, frequentemente, como um bando de gente “anti”: anticarne, antilaticínios, antipeles, anticouro, anticaça, anti-rodeios. Esta lista continua. Isso é um convite para o familiar “Sim, mas...”: “Sim, eu abraçaria a causa dos direitos animais, mas quem quer ficar rodeado de gente tão negativa?”

Eu não peço desculpas em nome dos DDAs. Nós realmente somos contra todas essas (no nosso modo de ver) abominações, e muitas outras. Mas espero que ninguém se esqueça de que há um outro lado naquilo que valorizamos e em que acreditamos: o lado “pró”. Com raras exceções, os defensores dos direitos animais defendem o amor à família e ao país, os direitos humanos e a justiça, a liberdade e a igualdade humanas, a compaixão, a paz e a tolerância, a consideração especial dos que têm necessidades especiais, um ambiente limpo e sustentável, e os direitos dos filhos dos nossos filhos – nossas gerações futuras.”


O chega-pra-lá da certeza exagerada da própria virtude (p. 232-234)

"Alguns relutantes são desencorajados pela certeza exagerada da própria virtude com que se deparam: “Sim, direitos animais é uma nobre idéia”, dizem eles, “mas veja o que essa idéia faz com as pessoas; faz com que elas pensem que são tão boas, tão puras. Quem quer ser assim?”Eu consigo me identificar com essa reação. Conheço alguns defensores dos direitos animais que se acham tão virtuosos que eu até desvio do meu caminho, só para não ter de lidar com eles.

(...) eu conheço alguns desses defensores que querem que você saiba o quanto você é mau e o quanto eles são bons, quando se trata das roupas que vestem e dos sapatos que você calça. Quer dizer, eu conheci alguns que podem soltar fogo pelo nariz na cara das pessoas que não se vestem direito.

Os defensores dos direitos animais que se comportam dessa maneira não vivem no mundo real.”

A idéia é que “os corpos de literalmente bilhões de animais são intencional e deliberadamente feridos a cada ano”, “a liberdade de centenas de milhões de animais é intencional e deliberadamente negada a cada hora” e “a própria vida de dezenas de milhares de animais é intencional e deliberadamente tirada a cada minuto” por causa da indústria das peles, couro ou lã.

Mas veja o algodão, por exemplo. Por causa dos produtos químicos que são aplicados ao algodão, levados pelas águas, matam peixes e outros animais. E ainda outros animais são mortos quando lavradores mecanizados preparam o solo para o plantio.

Quanto aos sapatos e cintos feitos com couro falso (sintético): são sub-produtos da indústria petroquímica. Isso significa derramamento de óleo, e números incontáveis de animais feridos e mortos.

“Portanto, não: os defensores dos direitos animais não têm razão para se considerar perfeitos exemplos de virtude, como se o mundo fosse dividido entre Puros (esses seríamos nós) e Impuros (esses seriam o resto da humanidade). Moralmente, somos todos matizes de cinza. (...) nenhuma pessoa sozinha fala em nome de todos os defensores.”


Fonte: http://stoa.usp.br/mauriciokanno/weblog/5856.html

12:06 AM


{Quarta-feira, Janeiro 23, 2008}

 

Paul Watson


Entrevista da Super Interessante com o ativista

- Sierra, Sierra... chamou uma voz pelo rádio.

Aqui é o Sierra.

Seu maldito! Matador de baleias filho da puta, sua carreira vai terminar hoje.

O diálogo, transcrito do livro Ocean Warrior, aconteceu na manhã de 16 de julho de 1979. A ameaça vinha de um capitão descabelado que estava no timão da traineira Sea Shepherd aproximando-se a toda velocidade do Sierra. O nome dele: Paul Watson. Antes que o Sierra pudesse fugir, o Sea Shepherd, mais rápido e mais pesado, se espatifou na sua proa, destruindo o arpão. Depois deu a volta e atacou de novo, abrindo no casco um rombo de 2 por 3 metros. Terminava ali a história do Sierra, um navio pirata que arpoara mais de 25 000 baleias desde 1968.

Watson, um navegador canadense que ajudou a fundar o Greenpeace em 1971, inaugurou assim a Sea Shepherd. Hoje, a maioria das ONGs trocou as capas de borracha por ternos e os confrontos violentos pela mesa de negociações. Mas a radical Sea Shepherd continua abalroando baleeiros, prendendo caçadores de focas e atacando barcos pesqueiros com helicópteros, inclusive no Brasil.

Aos 49 anos, o ambientalista terá sua vida retratada em uma superprodução de 50 milhões de dólares o filme Ocean Warrior, que estréia em 2001, com James Marsden, o Ciclope de X-Men, no papel de Watson. O capitão conversou com a Super por telefone, de sua casa, onde se recupera de uma pneumonia apanhada recentemente nos mares nórdicos.



Super: Quando você decidiu dedicar sua vida às baleias?

Tive uma revelação em 1975. Na época, eu estava no Greenpeace e tive a idéia de entrar com botes infláveis entre baleias e baleeiros. Imaginávamos que não matariam seres humanos para pescar baleias líamos muito Mahatma Gandhi (risos). Então, ficamos na frente de um navio russo e percebemos que eles não estavam preocupados com nossas vidas. Os soviéticos lançaram um arpão sobre nossas cabeças, atingindo uma fêmea de um grupo de baleias. Ela gritou e, em seguida, o maior macho do grupo submergiu. Sentimos que ele iria nos pegar por baixo para proteger os demais, já que éramos o alvo menor. De repente, o macho surgiu por trás de nós e se jogou na direção dos russos, que atiraram um arpão na cabeça dele. Ele mergulhou olhando para mim e vi inteligência naqueles olhos enormes. Em seguida, surgiu uma trilha de bolhas de sangue vindo em nossa direção. Achei que ele fosse nos atacar, mas isso não aconteceu. De alguma maneira, ele sabia que estávamos ali para ajudar. Por isso nos evitou. Desde então me sinto na obrigação de proteger as baleias.



Houve outros momentos em que você achou que ia morrer?

Em 1984, um barco da Marinha da Noruega tentou nos atropelar e atirou em nós. Tivemos confrontos com a Marinha soviética e a dinamarquesa. Felizmente, nesses 25 anos, nunca provocamos nem sofremos nenhum ferimento grave.



O que você faria numa situação em que a única forma de salvar uma baleia fosse matar um pescador?

Tomamos todas as precauções para não machucar ninguém. Mas, se restassem poucas baleias no mundo e o único jeito de evitar que alguém matasse uma das últimas fosse atirar no pescador, eu aceitaria a alternativa. A sobrevivência da espécie é anterior aos direitos de um indivíduo.



Quantas vezes você foi preso?

Dúzias. Faz parte do trabalho. Quem entra na frente de um navio e de interesses privados sabe que está se metendo em encrenca.



Quantos baleeiros você afundou?

Oito. Em 1979, afundamos o Sierra, em Portugal. Em 1980, foram mais dois espanhóis, metade da frota do país na época. Em 1986, nos livramos de dois baleeiros islandeses, também metade da frota da Islândia. Desde então afundamos três noruegueses.



Você participou como navegador da primeira ação do Greenpeace em 1971. O que mudou na ONG desde então?

Hoje o Greenpeace é uma corporação burocrática que arrecada 200 a 300 milhões de dólares por ano e está mais interessada em levantar dinheiro vendendo produtos do que em salvar a Terra. Os ativistas deixaram a entidade, que foi tomada por burocratas, contadores e advogados. Nas campanhas, eles mostram fotografias de 20 anos, porque não têm nenhuma nova. Me sinto como o doutor Frankenstein criei o grande monstro verde. Eu os chamei, numa entrevista, de garotas-Avon do movimento ambientalista, porque vão de porta em porta pedindo dinheiro. Nunca me perdoaram por isso.



Qual a situação da pesca de baleias no momento? A posição de países como Noruega e Japão é a mesma de sempre?

Sim, eles fazem o que bem entendem. Há uma moratória na pesca de baleias, mas o Japão e a Noruega continuam matando indiscriminadamente. Vamos ao Japão no próximo verão para tentar evitar isso. A Islândia e a Rússia, que tinham parado, querem voltar à atividade. É ridículo: quanto mais diminui o número de baleias, mais gente quer se envolver.



E os governos protegem os baleeiros?

O governo protege a indústria e não se importa com mais nada. A Marinha norueguesa, por exemplo, está a serviço dos baleeiros.



Você vê isso como uma guerra?

Sim. Uma guerra para salvar o planeta de nós mesmos. E ela só será ganha quando houver desespero. Daí veremos movimentos muito mais violentos para proteger o ambiente. As pessoas vão reagir. Qual a alternativa? A morte?



O que aconteceu com os proprietários do Sierra? Eles não podem simplesmente comprar outro navio?

Nós os aposentamos. Eles tinham outros três barcos. Fizemos com que o governo sul-africano apreendesse dois e oferecemos uma recompensa de 25 000 dólares para quem afundasse o terceiro. Para evitar mais prejuízo, eles largaram o negócio. Nossos críticos dizem que destruir baleeiros não adianta porque basta comprar navios novos. Não é verdade. Em 1986, afundamos metade da frota baleeira islandesa. Desde então, eles não mataram uma só baleia. Levaram todo esse tempo para se recuperar do prejuízo de 10 milhões de dólares que provocamos. Por nossa causa, os noruegueses tiveram que fazer um seguro de guerra, que é caríssimo. Assim, tornamos a pesca da baleia uma atividade pouco lucrativa. Como é o comércio que move o mundo, esse tipo de argumento é mais convincente do que falar de biodiversidade.



Para saber mais



Na livraria: Ocean Warrior

Paul Watson, Key Porter Books, Canadá, 1994



Na Internet:

Sea Shepherd

www.seashepherd.org



Sea Shepherd do Brasil

www.seashepherd.org.br



Site do filme Ocean Warrior

www.oceanwarrior.com


8:53 PM
 

Sangue no mar


Nos mares inóspitos e furiosos da Antártida, caçadores e ambientalistas se enfrentam com violência numa guerra pelas baleias.
Denis Russo Burgierman

Estamos em 2006. Toda a Terra foi ocupada pelos seres humanos. Toda? Não! Tem um continente que ainda resiste. A Antártida até é habitada por algumas centenas de pessoas, a maioria delas cientistas vivendo em bases climatizadas. Mas, por milênios, o continente branco não foi lugar de gente e ficou bem afastado dos dramas e dos conflitos da humanidade.

Pois aqueles mares desacostumados à presença do homem viram uma novidade no começo de 2006: um confronto violento entre humanos. De um lado, 6 navios japoneses faziam aquilo que fazem todo ano: matavam baleias. Do outro, 3 navios de organizações ambientalistas (dois do Greenpeace, um da Sea Shepherd) tentavam atrapalhar os japoneses. O nível de tensão chegou tão alto que houve até duas colisões entre barcos rivais - o que, naqueles mares tão distantes e inóspitos, fez muita gente temer uma tragédia. Ninguém se machucou, o conflito já esfriou, mas talvez ele seja só o primeiro. Será que chegou a hora de a avassaladora presença humana finalmente conquistar o último continente realmente selvagem do mundo?

Por que a briga?

Em 1987, a Comissão Baleeira Internacional (CBI) - que reúne países do mundo inteiro - decidiu declarar uma moratória internacional por tempo indeterminado para a caça de baleias. Em outras palavras: todos concordavam que não matariam mais baleia nenhuma em parte alguma do mundo até que se decidisse o contrário. Só que a moratória tinha uma brecha. Em nome do desenvolvimento da ciência, continuou permitido matar baleias para pesquisas.

Naquele mesmo ano, o Japão, tradicional consumidor de carne de baleia, criou o Jarpa, sigla inglesa para Programa Japonês de Pesquisa Baleeira sob Permissão Especial na Antártida. Em linhas gerais, o Jarpa funcionava assim: todo ano, no verão antártico, navios japoneses matavam 440 baleias minke para estudar o interior de seus ouvidos, estômagos e intestinos. Como as baleias já estavam mortas mesmo, os japoneses picotavam seus corpos, enlatavam, congelavam e vendiam a carne para restaurantes e supermercados.

Isso gerou uma gritaria no mundo todo. Ambientalistas e governos contrários à caça de baleias (como o do Brasil), saíram dizendo que o tal "programa de pesquisa" não passava de caça comercial disfarçada. Que os japoneses estavam desrespeitando a moratória da CBI. Por 8 vezes, o Greenpeace, uma das maiores organizações ambientalistas do mundo, mandou embarcações para encontrar os baleeiros japoneses na Antártida. Os ativistas do Greenpeace várias vezes se colocaram na linha de tiro dos arpões, para tentar impedir que as baleias fossem atingidas. Uma vez, um deles se agarrou a uma baleia morta, tentando evitar que ela fosse içada a bordo. Os japoneses tradicionalmente reagem disparando fortes jatos d'água nos ativistas. Mas nunca houve um ataque violento do Greenpeace aos baleeiros, inclusive porque isso contrariaria a filosofia da organização - declaradamente pacifista, inspirada nas idéias de não-agressão de Mahatma Gandhi.

No final de 2002, uma outra organização resolveu enviar também um barco à Antártida - e a Super foi uma das duas revistas do mundo a acompanhar a expedição. A Sea Shepherd é uma espécie de dissidência do Greenpeace. Ela foi criada pelo capitão canadense Paul Watson, um dos fundadores do Greenpeace, justamente porque ele discorda desses tais princípios pacifistas. Não que Watson queira machucar pessoas. Mas ele acha que destruir uma arma não é uma agressão - é, no limite, um ato de paz. Watson foi expulso da diretoria do Greenpeace por torcer o braço de um caçador de focas e jogar no mar o bastão que ele usava para matar os animais. Para o Greenpeace isso configura agressão e destruição de propriedade, algo inaceitável. A Sea Shepherd se orgulha de já ter afundado 8 navios baleeiros, quase todos sabotados no porto. Mas, na sua primeira ida à Antártida, Watson e seus ativistas voltaram de mãos vazias. Não encontraram os japoneses na imensidão do oceano Austral.

Em 2005, os japoneses resolveram encerrar o Jarpa. No seu lugar, criaram o Jarpa 2, que é basicamente a mesma coisa, com uma diferença: em vez de matar 440 baleias minke, agora seriam 935 minkes e 10 baleias fin, estas últimas ameaçadas de extinção. Muita gente no mundo todo protestou, mas nada de concreto podia ser feito pelas vias legais. Segundo as regras da CBI, cada país tem o direito de fazer o que quiser com seu "programa de pesquisa".

No dia 20 de novembro, dois navios do Greenpeace, o Artic Sunrise e o Esperanza, partiram do porto da Cidade do Cabo, na África do Sul, para os confins da Antártida, carregando uma tripulação profissional e bem treinada. Vinte e cinco dias depois, Paul Watson, seu navio Farley Mowat e um grupo de jovens voluntários partiram de Hobart, na ilha australiana da Tasmânia, rumo ao sul. Pela primeira vez, as duas organizações rivais iam juntas à última fronteira da humanidade.


Batalha no mar

No dia 20 de dezembro, a tripulação do Esperanza avistou um barco, coisa rara naqueles mares quase desertos. Era um dos japoneses. A frota baleeira é composta de 6 navios. Um deles é o spotter ("vigia") - foi esse o primeiro avistado pelo Greenpeace -, um barco rápido e pequeno cuja função é seguir na frente do resto do grupo, encontrar baleias e avisar os catchers ("pegadores"). Os catchers, que são 3, são os baleeiros propriamente ditos. São eles que disparam os arpões com uma granada na ponta (para matar mais rápido). Depois que a baleia morre, ela é transferida para o navio-fábrica, um gigante com mais de 100 tripulantes que tem uma verdadeira fábrica no seu interior. A baleia entra inteira lá e já sai cortada em pedaços, encaixotada e congelada. O sexto barco é o de apoio - ele traz suprimentos e leva carne de baleia embora.

Os ativistas do Greenpeace, com a ajuda de um helicóptero, logo avistaram o navio-fábrica, se aproximaram e ordenaram por rádio que ele saísse da Antártida. Caso contrário eles começariam a "ação direta não violenta". É claro que os japoneses não foram embora. Aí os ativistas começaram a colocar em prática a estratégia do Greenpeace: pilotar botes a motor entre os arpões e as baleias para evitar os disparos, estacionar o Artic Sunrise colado ao navio-fábrica e assim impedir que os catchers se aproximassem e transferissem a carga, pintar faixas, cartazes e tirar muitas fotos de tudo isso. Enfim, infernizar, por dias a fio, a vida dos baleeiros e divulgar ao resto do mundo.

No dia 24 de dezembro, véspera de Natal, foi a vez de o pessoal da Sea Shepherd chegar ao lugar onde Greenpeace e baleeiros já se enfrentavam. O primeiro ato de Watson foi ordenar que duas bóias, amarradas por uma corda na qual estavam presos vários pedaços de cabo de aço, fossem colocadas na água, à frente do navio-fábrica. A idéia era que ele passasse entre as bóias de maneira que o cabo de aço enroscasse na hélice, quebrando-a. Não deu certo dessa vez, mas, alguns dias depois, uma outra tentativa pode ter resultado em dano ao baleeiro. A intervenção mais violenta da Sea Shepherd se deu no dia 8 de janeiro. Watson instalou no casco do Farley Mowat uma peça pontiaguda, que ele chama de "abridor de latas", e forçou uma batida, lateral com lateral, no barco de apoio japonês. A idéia era abrir um buraco no casco. "Não abriu porque deve ter pego na estrutura. Mas amassou bastante", disse por telefone via satélite o brasileiro Gunter Filho, tripulante do Farley Mowat.

Da Sea Shepherd se esperava mesmo uma ação agressiva dessas. Surpresa foi que, no mesmo dia, o Artic Sunrise, do pacifista Greenpeace, também se envolveu numa batida violenta contra o navio-fábrica japonês. Os ativistas e os baleeiros trocaram acusações sobre quem foi o culpado pela trombada. Os ânimos estavam exaltados. Boatos - nunca confirmados - de que o Japão iria enviar um navio de guerra começaram a circular.

Dias depois, os barcos dos ambientalistas iniciaram a longa viagem para fora do círculo polar. Os baleeiros tiveram suas atividades comprometidas em duas semanas de perseguição sem trégua. "Acho que eles terão sérias dificuldades de atingir a quota de 935 minkes", disse Watson à Super, também por telefone via satélite. O Greenpeace costuma fazer algum segredo sobre seus planos para o futuro, mas a Sea Shepherd já avisou que quer voltar no ano que vem, com um barco mais rápido.



Em 800 anos de caça às baleias, o homem quase riscou do mapa várias espécies. Todos os números a seguir são estimativas

Baleia-franca
2 mil (eram 100 mil no passado)

Por viajar perto da costa e não afundar quando morre, era a mais caçada desde a Idade Média. A caça ficou cada vez mais difícil até ser proibida em 1946.

Cachalote
700 mil (era 1,5 milhão)

Seu cabeção está cheio de um óleo excelente. Com a industrialização e a necessidade de lubrificar máquinas, a cachalote virou a bola da vez.

Baleia-azul
12 mil (eram 200 mil)

O maior ser vivo que já existiu não era caçado porque seu corpo de 190 toneladas afunda ao morrer. Em 1860, inventaram um arpão que injeta ar. Foi quase o fim dela.

Jubarte
30 mil (eram 100 mil)

Famosa pelo belo e complexo canto, que indica grande inteligência, a jubarte também afunda ao morrer e só começou a ser caçada no século 19.

Baleia sei
30 mil (eram 250 mil)

Foi muito caçada na Antártida nos anos 60. O Japão tem um outro "programa de pesquisa" no Atlântico Norte que inclui a morte de 100 baleias sei por ano.

Baleia fin
100 mil (eram 500 mil)

Superada em tamanho apenas pela azul, a fin foi muito caçada em todo o século 20. Em 2005 o Japão incluiu 10 delas no seu programa antártico.

Baleia-de-bryde
90 mil (eram 100 mil)

Como é uma baleia tropical, tem pouco óleo (uma proteção contra o frio). Por isso, só começou a ser mais caçada em 1970, quando as mais gordas estavam acabando.

Baleia minke
1 milhão (desconhecida)

Os caçadores nunca deram bola para ela, pelo tamanho pequeno. Por isso, é a mais abundante. Os japoneses dizem que é possível caçá-la de modo sustentável.



PARA SABER MAIS

Piratas no Fim do Mundo
Denis Russo Burgierman, Superinteressante, 2003
(à venda apenas em www.superinteressante.com.br)

Ocean Warrior
Paul Watson, Key Porter Books, Canadá, 1994

8:40 PM
 

Obstáculos são desafios, não barreiras


8:16 PM
 

Não desistir diante dos desafios


8:15 PM


{Segunda-feira, Dezembro 17, 2007}

 

O O QUE É. está sendo reformulado.
Novidades em breve...



1:56 PM
 
Código Fonte
1:51 PM


{Segunda-feira, Julho 09, 2007}

 

O que é um Contato Imediato?


Contato Imediato é o encontro com o fenômeno UFO. A tradução fiel do inglês deveria ser Contato Inesperado, mas o termo Contato Imediato já foi consagrado aqui no Brasil. Quais são os tipos de Contatos Imediatos que existem?

CONTATO IMEDIATO DO PRIMEIRO GRAU é quando vemos o objeto na distancia menor de 200 metros e verificamos que ele é completamente diferente dos nossos objetos aéreos.

CONTATO IMEDIATO DO SEGUNDO GRAU é quando o UFO deixa evidencias físicas, tais como, fotos, filmes, marcas no solo, interferências eletromagnéticas, distúrbios na saúde de uma pessoa, radarização, plantas queimadas, etc...

CONTATO IMEDIATO DO TERCEIRO GRAU é quando vemos os tripulantes dentro ou fora da nave.

CONTATO IMEDIATO DO QUARTO GRAU envolve os casos de abduções. As três primeiras classificações é de autoria do saudoso Papa da Ufologia Joseph Allan Hynek. Depois a Ufologia norte-americana adicionou o QUARTO GRAU. Aqui no Brasil, a Ufologia brasileira acrescentou o CONTATO IMEDIATO DO ZERO GRAU, que envolve avistamentos noturnos distantes, que pelo comportamento, acabamos desconfiando que seja um fenômeno UFO e também o

CONTATO IMEDIATO DO QUINTO GRAU, que envolve os contatos telepáticos com seres extraterrestres, sem eles estarem presentes.

9:20 AM


{Segunda-feira, Junho 18, 2007}

 
Voluntários levam cães para passear em Florianópolis

Projeto em SC permite que voluntários fiquem com animais no fim de semana. Os bichos também são colocados para adoção. Quatro arranjaram donos em um mês.


Se a cadelinha Baleia recebesse uma carta, o endereço para a correspondência seria o do canil municipal de Florianópolis. Mas isso até 15 dias atrás. Depois de mais de dois anos morando no abrigo, a vira-lata ganhou um novo lar, a casa da governanta Maria Aparecida de Almeida, de 38 anos.

Aparecida é uma apaixonada por cães e passou dois meses procurando outro animal depois que a cadela que criava desapareceu. Um dia, viu um anúncio no jornal e lá estava a foto de Baleia. "Quando eu e minha filha vimos a foto, foi amor à primeira vista. Não quisemos nenhum outro cãozinho. Ela era linda e perfeita", conta. A governanta diz ainda que a cadela parece que já veio treinada: "É obediente, esperta e nunca faz bagunça na casa", garante.

A nova dona conheceu Baleia a partir de uma iniciativa da Coordenadoria de Bem-Estar Animal do município. Há quatro semanas, o órgão criou um projeto chamado 'cão-terapia' para tentar atrair a atenção dos moradores da cidade para os cerca de 50 animais que vivem no canil municipal.

A idéia foi da arquiteta Ana Lúcia Martendal, que é voluntária da coordenadoria responsável por recolher cães atropelados, vítimas de maus-tratos e filhotes abandonados. "O abrigo para esses animais é temporário, até que eles se recuperem, mas como não há divulgação para adoção, muitos ficam no lugar por longos períodos", afirma a arquiteta.

Pelo projeto, moradores da cidade podem retirar os animais do canil e levá-los para passeios em uma área verde de Florianópolis. "Os cães estão preparados para o passeio: estão limpos, alimentados e castrados", diz Ana Lúcia. A seleção é rigorosa: os interessados em passar as horas de folga com os animais passam por entrevista antes de levar o animal.

Há duas modalidades de adesão ao projeto: o voluntário pode levar o cão para passear em períodos específicos (sábados, das 10h às 12h ou das 15h às 18h) ou 'adotar' o animal por todo o fim de semana, levando o bicho para casa e entregando-o na segunda-feira pela manhã.


Novos lares

O projeto chamou tanto a atenção das pessoas que a coordenadoria já estuda parcerias. Uma pedagoga que trabalha com adolescentes infratores procurou o órgão para usar os cães na recuperação deles. A Polícia Rodoviária Estadual de Santa Catarina também está interessada em usar os animais em um projeto social da instituição que atende asilos, hospitais e escolas.

Os efeitos são percebidos dentro e fora do canil. Muitos animais, que antes estavam 'deprimidos' e chegavam até a desenvolver doenças ocasionadas pelo isolamento, já demonstram mais vitalidade, segundo os técnicos da coordenadoria. "No canil, eles têm água, comida e 'roupa lavada'. O que eles precisavam é de carinho", diz Ana Lúcia.


Chico Fireman
Do G1, em São Paulo

11:08 AM


{Segunda-feira, Junho 04, 2007}

 
Resolvi então limpar meus blogs amigos. Os desatualizados caíram fora e uns novos foram linkados. Todos recomendados.

Espremedor
Tambosi
Trator Desgovernado
Redação III
Boingboing
Free Hugs

Os blogs que abandonaram o navio foram: Marcopinião, Umbiguismo, Tsuushin, Tempo Ocioso, Metropolitan, Mãe 24 horas

Na pendura: Reflexões Depois dos 30, Que jornalismo é esse?, O que é. (meu próprio blog!), Loucos de todo gênero, Jornal do Blogueiro (quem diria?).
Uma pena os blogueiros desistirem, mas um dia desses a gente se vê por aí denovo ; - ) Para os pendurados um incentivo para voltar.

10:44 AM


{Sábado, Abril 07, 2007}

 
As agências como única fonte dos jornais diários

Comparando ambas as notícias dadas pela Agência Brasil e publicadas na versão on line do Globo e do Jornal do Brasil, nota-se que o texto padrão da agência determinou as fontes, a tônica das matérias e foi utilizado como matéria e não como uma fonte.
A reportagem do JB é mais curta e não cita o mal estar que se criou com os militares da Aeronáutica com a decisão do governo de liderar as negociações com os controladores de vôo. A matéria do JB saiu às 7:54h e a do Globo, às 10:44h. Nenhuma sofreu reloaded depois de postada no site.
As frases e as citações iguais remetem ao despacho da agência que foi utilizada como fonte preponderante. O Globo cita ¿fontes ligadas à área militar¿, sem identificá-las o que não é errado do ponto de vista jurídico, mas questionável em relação à veracidade de tal afirmação. O redator do Globo que reescreveu o despacho realmente utilizou uma fonte ou deduziu a afirmação sem fonte alguma e resolveu publicá-la com o jargão ¿fontes ligadas à área militar¿? Matéria pobre e preguiçosa. Pressa? Não, preguiça. Pois nos jornais on line existe o recurso reloaded que permite corrigir e melhorar as matérias depois de postadas.
Outro ponto que não é abordado em nenhuma matéria relacionada ao apagão aéreo é a utilidade de tanto se debater o atraso dos vôos. O que está por detrás da evidência com a qual a imprensa trata o tema? Porque esse tema é tão importante a ponto de liderar as chamadas da maior parte dos jornais de grande público por semanas?
Quem freqüenta os aeroportos? Pessoas de alto ou médio poder aquisitivo. Pobre não pega avião. A quem interessa esse tema? Porque a imprensa não questiona isso? Dentre todas as reportagens que vi a respeito da crise aérea nenhuma respondeu adequadamente a essas proposições.


Matérias analisadas:

Do JB on line
Agência Brasil [ 07:54 ] 02/04/2007

Lula considera grave a paralisação dos controladores de vôos

BRASÍLIA - O presidente Lula considerou grave e irresponsável a paralisação dos controladores de tráfego aéreo na última sexta-feira.
O protesto da categoria parou 67 aeroportos comerciais do país, de acordo com a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero).
- Eu acho muito grave o que aconteceu, acho grave e acho irresponsabilidade pessoas que têm funções que são consideradas essenciais e funções delicadas, porque estão lidando com milhares de passageiros que estão sobrevoando o território nacional, afirmou. Segundo o presidente, se as pessoas querem discutir aumento de salário, devem discutir, mas sem prejudicar o ser humano.
- Se quiserem prejudicar o governo, que prejudiquem, mas não prejudiquem a sociedade, disse nesta segunda-feira no programa semanal de rádio Café com o Presidente.
- A gente não pode ficar assistindo na televisão todo dia milhares de pessoas sofrendo, esperando cinco ou seis horas, passando privações, pessoas sofrendo, pessoas chorando porque uma categoria se dá o direito de poder fazer isso. Eu acho que todo trabalhador tem direito a aumento de salário, todo trabalhador tem direito de reivindicar, mas é importante lembrar que, quando eu era dirigente sindical algumas empresas entravam em greve, o setor considerado essencial na empresa a gente acordava com o dono da empresa que aquele setor não iria parar, por uma questão de responsabilidade, afirmou.
Lula afirmou que se reunirá hoje com o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, e com o ministro da Defesa, Waldir Pires, em busca de uma solução para o setor.
¿Eu acho muito grave o que aconteceu, acho grave e acho irresponsabilidade pessoas que têm funções que são consideradas essenciais e funções delicadas, porque estão lidando com milhares de passageiros que estão sobrevoando o território nacional¿, completou.
Para acabar com o protesto dos controladores, o governo aceitou as exigências da categoria de rever salários, criar um plano de carreira, discutir a retirada da função da área militar e cancelar todas as transferências de operadores para outras cidades, feitas nos últimos seis meses, que eram vistas pela Associação dos Controladores de Vôo como uma forma de retaliação aos grevistas.
Ficou acertado também encontro nesta terça-feira com os controladores para debater como será o processo de retirada do cargo da carreira militar, o valor da gratificação salarial e o plano de carreira.

Do Globo:
Publicada em 02/04/2007às 10h44m - Agência Brasil

Lula considerou grave e irresponsável paralisação dos controladores de vôo

Filas tomaram conta do Galeão no fim de semana / Domingos Peixoto - O Globo

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerou grave e irresponsável a paralisação dos controladores de tráfego aéreo na última sexta-feira. O protesto da categoria parou 67 aeroportos comerciais do país, de acordo com a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). ¿Eu acho muito grave o que aconteceu, acho grave e acho irresponsabilidade pessoas que têm funções que são consideradas essenciais e funções delicadas, porque estão lidando com milhares de passageiros que estão sobrevoando o território nacional¿ - afirmou nesta segunda-feira no programa de rádio "Café com o presidente".
Lula está reunido com o ministro da Defesa, Waldir Pires, e com o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito. A reunião é preparatória para outra que acontecerá à tarde para tratar do caos aéreo. Depois da audiência com Saito e Waldir, o presidente terá um encontro com os demais ministros.
Lula tentará contornar a insatisfação do comandante da Aeronáutica, que se viu desautorizado na sexta-feira, quando pensava em prender os amotinados. O presidente o contradisse, mandando-o negociar com os grevistas.
Para acabar com o protesto dos controladores, o governo aceitou as exigências da categoria de rever salários, criar um plano de carreira, discutir a retirada da função da área militar e cancelar todas as transferências de operadores para outras cidades, feitas nos últimos seis meses, que eram vistas pela Associação dos Controladores de Vôo como uma forma de retaliação aos grevistas.
Depois do caos que voltou a tomar conta do setor aéreo durante o fim de semana, a segunda-feira começou tranqüila nos principais aeroportos dos país. Em Minas, os vôos voltaram a ser normalizados.
Em Brasília, São Paulo e Rio, as filas eram pequenas, com poucos atrasos.
A Infraero acredita que no início da noite a situação dos principais aeroportos do país estará normalizada.
Lula convocou para esta segunda-feira uma reunião com representantes do setor para agilizar soluções para a interminável crise do setor aéreo.
Segundo o presidente, se as pessoas querem discutir aumento de salário, devem discutir, mas sem prejudicar o ser humano.
¿Se quiserem prejudicar o governo, que prejudiquem, mas não prejudiquem a sociedade¿ - disse.
¿A gente não pode ficar assistindo na televisão todo dia milhares de pessoas sofrendo, esperando cinco ou seis horas, passando privações, pessoas sofrendo, pessoas chorando porque uma categoria se dá o direito de poder fazer isso. Eu acho que todo trabalhador tem direito a aumento de salário, todo trabalhador tem direito de reivindicar, mas é importante lembrar que, quando eu era dirigente sindical algumas empresas entravam em greve, o setor considerado essencial na empresa a gente acordava com o dono da empresa que aquele setor não iria parar, por uma questão de responsabilidade¿ - afirmou.
A nova crise dos aeroportos fez ressurgir com força no Congresso o movimento pela criação da CPI do Apagão Aéreo.
A desmilitarização deixou o serviço de controle de tráfego aéreo do país temporariamente sem comando. A Aeronáutica ficou irritada com a decisão do presidente Lula.
Também nesta semana, uma medida provisória deverá ser editada pelo presidente, criando um órgão civil, subordinado ao Ministério da Defesa, e que ficará responsável pelo monitoramento dos aviões.
Os atuais controladores serão transferidos para o novo órgão, na condição de cedidos pelo para o Ministério da Defesa, o que permitiria a criação de um plano de carreira para os controladores civis. Segundo fontes ligadas à área militar, a mudança obrigará os controladores militares a escolherem entre dois caminhos. Ou pedem baixa e deixam a carreira militar para reingressarem na atividade como civis, via concurso público, ou continuam como militares, mas não usariam farda e aceitariam o comando civil.
A segunda possibilidade foi amplamente utilizada na formação dos quadros atuais da criação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que substituiu o Departamento de Aviação Civil (DAC) que era vinculado à Aeronáutica.
A Aeronáutica também perde para a Defesa boa parte dos recursos do Fundo Aeronáutico, que tem R$408 milhões para operação e manutenção de equipamentos.
Ficou acertado ainda um encontro nesta terça-feira com os controladores para debater como será o processo de retirada do cargo da carreira militar, o valor da gratificação salarial e o plano de carreira.

9:36 PM


{Quinta-feira, Março 29, 2007}

 
Dessa vez o Diário Catarinense acertou. Editorial de terça-feira, 14 de março de 2007

Barbárie e covardia

No final de semana, o Litoral voltou a servir de cenário para as lamentáveis demonstrações de covardia e bestialidade coletivas denominadas de "farra do boi", um crime e um atentado à civilização que alguns ainda tentam justificar em nome da "tradição". Mas, como costuma acontecer, nenhum organizador ou participantes deste espetáculo sórdido foi detido. O noticiário sobre esta nauseante demonstração de ignorância primitiva em pleno século 21 já corre o mundo, e expõe Santa Catarina à execração pública. Uma campanha publicitária para conscientizar a população e motivá-la a denunciar a "farra" e seus participantes será iniciada esta semana nos municípios de Garopaba e Paulo Lopes, que também estão entre os cenários usuais para esta prática perversa na época da Quaresma, principalmente em comunidades pesqueiras. A campanha é uma parceria entre Poder Judiciário, Ministério Público, Polícia Militar de Santa Catarina e entidades que se dedicam à defesa dos animais e apoio do Conselho Regional de Medicina Veterinária.

Fôlderes, cartazes, outdoors e mensagens radiofônicas orientarão a população a respeito, mostrando que a "farra" não é "cultura", nem "tradição", mas um crime - e crime covarde e repulsivo, eis que praticado no anonimato da multidão excitada (em boa alcoolizada também) contra seres indefesos e com requintes de perversidade. A iniciativa é oportuna. O Estado precisa limpar de vez acabar com esta prática que o envergonha e apequena diante da comunidade nacional e internacional. E que os defensores da prática não venham argumentar com o exemplo das touradas na Espanha e outras prática deste quilate. Não se justifica um malfeito com outro.

Fica bem claro que qualquer um que organiza ou participa da "farra" pratica crime, tipificado na Lei 9.605, de 1998, que é federal e não pode ser alterada nem "regulamentada" em nível estadual ou municipal. Quem participa da "farra dos ignaros" é um criminoso, e pode ser condenado a uma pena de três meses a um ano de cadeia. Acreditamos que somente quando a lei for aplicada para valer em toda a sua extensão, e os farristas colocados atrás de grades, a barbárie começará a recuar.

O último caso de prisão por este motivo de que se tem notícia em Santa Catarina ocorreu no ano passado, quando oito "farristas" foram presos por 45 dias após corajosa e profilática sentença da juíza Eliane Cardoso Luiz, uma das organizadoras da campanha que será lançada esta semana. Nossa consciência cívica e nosso legado de civilização condenam e denunciam esta prática bárbara e covarde.


JF: Assim o DC assume ares de mídia independente. Até que os grupos de proteção conseguiram um bom apoio esse ano da RBS e do governo. Mas, não é suficiente. Os criminosos ameaçam denunciantes e o que a polícia faz? Vai lá olham prá cara do boi, baixam a cabeça e vão embora. E os criminosos continuam a se divertir com sua pretensa cultura.
E vai um mané na TV defender a "cultura" da farra do boi, dizendo que o boi não se machuca. Ponha uns cabrestos nesse cara e 100 criminosos correndo atrás dele, vamos ver se é verdade o que le diz.

Do dia 22 de março, DC

Farra do boi provoca protesto de entidades
Manifestantes tentam evitar que a violência seja legalizada
TAÍS SHIGEOKA

Defendendo o slogan Farra do Boi = Festa de Covardes, representantes de quatro entidades de proteção aos animais realizaram, no final da tarde de ontem, uma manifestação em frente ao Terminal de Integração do Centro (Ticen), na Capital.

O objetivo dos participantes era engrossar o abaixo-assinado contra a legalização da farra do boi, que já contava com 6 mil assinaturas. O documento será entregue ao Ministério Público, junto com um pedido de ação direta de inconstitucionalidade contra a lei que institui a brincadeira do boi, aprovada, na terça, pela Câmara de Vereadores de Governador Celso Ramos.

- Conseguimos o apoio de 6 mil pessoas para contrapor às 1,5 mil que apoiaram a legalização - afirmou Alem Guerra Mery, presidente da ONG Ecosul.

Munidos de folhetos e cartazes, os manifestantes procuraram conscientizar as pessoas sobre a necessidade de denunciar os farristas.

Segundo Karla Souza Pinto, diretora da ONG É o Bicho, a linha que separa a violência contra os animais da violência contra pessoas é muito tênue.

E a atenção deve ser ainda maior quando se trata de crianças que, ao assimilarem a farra como algo natural, têm grandes chances de se tornarem adultos violentos, alertou Karla.

ONGs do Vale do Itajaí também fazem manifestação

Em Itajaí, organizações não-governamentais também se uniram em protesto contra a farra do boi. A manifestação ocorreu, ontem, às 18h, em frente à Igreja Matriz, e foi marcada por apresentações folclóricas.

Assim como na Capital, o objetivo foi chamar a atenção da população e alertar sobre a necessidade de denunciar a prática.


10:43 AM


{Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007}

 
Esse texto saiu no Observatório da Imprensa:

CASO JOÃO HÉLIO E A MÍDIA

Os telejornais desta noite estavam encharcados de sangue. Sangue de crianças manchando as mãos de criminosos pouco mais velhos do que crianças, numa rotina duplamente trágica. Mas algo começa a acontecer.
Vinte dias depois, o menino João Hélio venceu a inércia e continua em pauta, emocionando e indignando o país inteiro. É um milagre de persistência, considerando que sobreviveu ao carnaval e superou nossa vocação para a amnésia.

Para esta sobrevivência, triste reconhecer, foram decisivas as bárbaras circunstâncias do assassinato do menino. Mas há outro dado que convém acrescentar: a revolta foi encabeçada pelas mulheres. Foram elas que empurraram o debate para uma esfera muito além da política convencional e até agora jamais alcançada.
Embora não tenham se confrontado diretamente, governo e imprensa estiveram e ainda estão em posições opostas e conflitantes. Porque a imprensa foi tão bem sucedida na mobilização da sociedade, o governo trancou-se e aferrou-se à questão da diminuição da maioridade penal esquecido do seu papel maior como o narrador das grandes comoções nacionais.

Para compensar a frieza e o distanciamento do mundo oficial, surgiram iniciativas individuais que revelaram o sentido de comunhão e comunidade há muito tempo arquivado. Entre estas iniciativas, a da família de Candido Portinari que abriu mão dos direitos de reprodução de cinco mil obras do nosso maior pintor, desde que utilizadas em mensagens de solidariedade.
A perplexidade do filósofo Renato Janine Ribeiro diante da crueldade que domina a cena brasileira é outro momento de excepcional importância neste episódio. Estamos aprendendo a encarar e conviver com o sofrimento, com as dúvidas.
Por tudo isso, essa é uma quaresma que dificilmente será esquecida. Ela pode marcar o reencontro com a nossa humanidade.


JF: Como não podia deixar de comentar ao ver tamanha prepotência, tenho que afirmar mais uma vez: a imprensa não tem tanto poder quanto pensa.
Quem mobilizou a sociendade foi a novela. Isso mesmo, a estúpida novela água com açúcar das nove, Páginas da Vida, da rede Globo.
A imprensa apenas ganhou um respiro por causa da novel. Todas as honras à novela. Estou começando a achar que faria melhor se fosse roteirista de novela do que jornalista.

Fenômeno Big Brother
Falar em novela me lembra o Big Brother. Tantos criticam e nem eu mesma tenho paciência, admito. Mas, gente, lá na república se eu não sei nada de Big Brother, simplismente não tem o que conversar. Sério! E aí? Vou dar uma de anti-social ou dar o braço a torcer e assitir alguma coisa junto com o pessoal?

7:23 PM


{Segunda-feira, Janeiro 29, 2007}

 
Jornais perdem lugar em escolas que usam mais a Web

Mais professores norte-americanos vêm usando sites nacionais e internacionais de notícias na sala de aula, o que deixa para trás os jornais que não percebem a importância da Web, constatou um estudo. Dos professores pesquisados, 57% usam serviços noticiosos via Internet em salas de aula com alguma frequência, informou o estudo, baseado em pesquisa com 1.262 professores, conduzida no final de 2006, e divulgada hoje pela Carnegie-Knight Task Force on the Future of Journalism Education.
Isso se compara a 31% no que tange a programas noticiosos nacionais de televisão e a 28% para o uso de jornais diários. As notícias locais são usadas por apenas 13% dos professores, segundo a pesquisa. "Os estudantes não estabelecem relacionamento algum com os jornais, da mesma forma que não o fariam com discos em vinil", disse um professor entrevistado.
As conclusões refletem uma tendência mais ampla, de queda de circulação e receita publicitária em muitos dos diários norte-americanos, à medida que os leitores passam a procurar notícias e entretenimento online. A tendência gerou preocupação sobre o futuro do setor de notícias e sobre o futuro financeiro das empresas que têm nelas sua fonte de receita. A Tribune Co., por exemplo, foi pressionada a estudar propostas de aquisição, a fim apaziguar acionistas insatisfeitos.

Os sites mais populares são os operados por grandes organizações noticiosas tais como a BBC, New York Times e CNN.com, constatou o estudo. Os professores preferem jornais em papel, mas apenas 8% deles afirmaram que os alunos compartilhavam dessa preferência. Entre os entrevistados, 75% declaram que os jornais eram a mídia menos apreciada pelos alunos.
Uma das principais razões para que os sites de jornais locais não tenham conquistado espaço nas salas de aula norte-americanas é o fato de que seu uso para essa finalidade não foi promovido, constatou o estudo.

Fonte: Reuters

- Estadão: Agroenergia atrai mais capital externo

12:39 PM


{Quinta-feira, Janeiro 18, 2007}

 
Algumas dicas...

Veja as manchetes dessa quinta no blog do jornalista Josias de Souza.

No blog do Jorge Moreno o ranking da mídia impressa.


2:29 PM


{Domingo, Novembro 19, 2006}

 
Repetindo o mesmo erro...

Nessa semana, novamente a mídia, em especial a rede Globo de televisão, se precipitou ao anunciar o filho do casal de idosos, assassinado em São Paulo, como culpado pelo crime. Ah, mas eles disseram ¿suspeito¿, vocês diriam. Não, eles deram o nome do rapaz e mostraram no vídeo e na mídia impressa todos os indícios que levavam o público a declará-lo culpado. Prova disso são os muros da casa pichados com palavras de condenação.
Uma repetição do mesmo erro cometido tantas outras vezes e de forma mais célebre no caso escola Base. E esse erro é apontar suspeitos como culpados, um dos pecados da imprensa apontados por Ciro Marcondes Filho no livro Sobre Ética e Imprensa de Eugênio Bucci. A lei de imprensa proíbe que se divulgue o nome de suspeitos de crimes. A rede Globo infringiu essa lei e também a de calúnia e difamação que vêm por conseqüência. Mesmo que se prove ao final que o rapaz é culpado, as leis foram transgredidas.
Que imprensa é essa que o chamado ¿padrão de qualidade¿ não prevê respeito às leis? Que poder tem a imprensa de condenar qualquer pessoa em nome do espetáculo e da audiência? Quem definiu que um crime na classe média tem mais importância para ser divulgado para a sociedade que outros crimes, por vezes piores?
Um dos crimes preteridos por esse duplo homicídio foi cometido em Itapema, litoral de Santa Catarina, por quatro membros da mesma família de classe baixa. Um assalto a banco, coordenado pelo pai da família, no qual morreram o pai, um dos filhos e uma mulher que estava no banco. Mas esse tipo de notícia está fora do eixo: Rio-São Paulo, classe alta-média, é uma notícia que leva a pensar e não a condenar, não rende espetáculo, pois faz pensar. Segundo depoimento de um dos filhos presos, o pai o chamou a participar do assalto, por isso ele foi. A instituição família transformada em instituição crime e por quê?
- Interrompemos essa notícia para exibir o espetáculo da condenação precoce de um rapaz suspeito de matar os pais numa família de classe média, portanto mais importante que a família de assaltantes de classe baixa.
É isso que a mídia faz. Suspeitas, achismos, boatos que viram notícia sem confirmação, mentiras elevadas ao grau de notícia, tudo regado a arrogância. A imprensa ainda acredita que é o quarto poder e tenta desesperadamente se agarrar a esse barco em vias de afundar, tentando derrubar presidentes, condenar inocentes, empurrar incoerência e mentiras à sociedade cada vez mais preparada para desconfiar desses desmandos.
Com a vergonhosa cobertura política desse ano, e se afundando cada vez mais num mar de mentiras maior que as contadas na CPI do mensalão, creio que uma nova era surge na imprensa.
É a era do livre acesso a toda e qualquer informação principalmente fora do eixo. Não mais a grande mídia detêm poder, pois não dita mais a ordem de relevância da informação. Cada vez mais a sociedade assume o papel de fiscalizador que tanto tempo delegou somente à imprensa. Dessa nova era só sobreviverá o jornalismo que se adaptar ao poder que sempre disse representar, o povo.

Polícia suspeita de filho de casal morto em SP

Casa de idosos assassinados é pichada com ofensas

População critica cobertura; Globo faz abaixo-assinado pra se defender


Condenação legítima ou eleitoreira?

A condenação do ex-ditador do Iraque, Saddam Hussein, à morte pela forca no tribunal Penal Supremo provocou reações diversas em todo o mundo. Saddam foi condenado no domingo, 5, pela morte de 148 xiitas da aldeia de Al-Dujail localizada ao norte de Bagdá, em 1982. Ele ainda está sendo julgado por outros crimes contra a humanidade.
A União Européia se declarou contra a pena de morte, apesar de algumas autoridades se manifestaram a favor da condenação. A organização pró-direitos humanos, Anistia Internacional, afirmou que o julgamento é defeituoso e injusto e criticou a condenação.
A legitimidade do tribunal e a aplicação da pena de morte são contestadas não só por autoridades como pelo cidadão comum que acompanha o caso.
Pela internet vários fóruns de discussão se formaram em torno do tema. Muitos dos participantes gostariam que se condenasse também o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush à forca junto com Saddam. Se comenta nesses fóruns é que a condenação teve fins eleitoreiros para favorecer a política intervencionista e a guerra anti-terror de Bush. O internauta Saulo L Jr de Porto Alegre escreve no fórum do Click RBS que a condenação de Saddam ¿nada mais foi do que um engodo para justificar a bárbara invasão do Iraque, com assassinato de milhares de civis inocentes pelos EUA¿. A derrota do partido republicano confirma que nem mesmo nos Estados Unidos se acredita nessa ¿política¿.
Mas, as opiniões não são unânimes. Há internautas que defendem que Saddam teve o que mereceu por ter provocado genocídios no Iraque.
Os crimes foram cometidos, não há dúvida, mas o que mais se contesta é se os Estados Unidos tem o direito de julgar o ditador dos outros quando em seu próprio país há um ditador, eleito democraticamente, mesmo que com suspeitas de fraude. Ditador sim, pois mesmo com grande parte de seu país e do mundo contra a invasão do Iraque, ele não mediu esforços para fazê-lo. Porque a morte de milhares de iraquianos em decorrência dessa guerra não gera um julgamento em corte como o genocídio praticado por Saddam gerou? Questiona-se a legitimidade de um tribunal criado não para fazer justiça, mas para acatar a vontade de mostrar poder que Bush possui.


12:47 PM


{Terça-feira, Novembro 07, 2006}

 
População critica cobertura; Globo faz abaixo-assinado pra se defender
Protestos contra atuação da mídia nas eleições saíram das críticas na internet e chegaram às ruas, como nas manifestações durante a festa da reeleição de Lula (foto). Para defender sua cobertura, chefia da Globo colocou abaixo-assinado "à disposição" dos jornalistas.


Maringoni
Carta Maior


As torres invisíveis
Greve do zelo dos controladores de vôo brasileiros mostra dificuldade em visualizar o mundo do trabalho e seus dramas numa cultura que privilegia o consumo como referência.

JK: Essa história já me encheu a paciência. Afinal uma semana inteira a Globo e os jornais falando dos pobres coitados dos passageiros que ficavam horas esperando os vôos. Como já comentei, a quem interessa esse tipo de notícia? Quem usa o avião como meio de transporte? De certo nem eu nem minha família temos dinheiro para pegar um vôo toda vez que queremos viajar. E tenho certeza que a grande maioria das famílias brasileiras também não tem.
Enquanto culpam os controladores de vôo e as companhias aéreas o verdadeiro problema continua sendo encoberto.

8:28 AM


{Sexta-feira, Outubro 06, 2006}

 
Olha, não sou do PT, mais entre o ruim e o muito ruim...
Leiam o que a mídia independente publicou sobre a disputa para a presidência em segundo turno:

O VOTO DOS GROTÕES
Os cabrestos estão esgarçados

por Alberto Dines

"Lula foi uma grande decepção, mas Alckmin é muito pior"

POR QUE LULA, SEGUNDO CAPÍTULO
Apesar de todas as decepções, o presidente é ainda a melhor opção. Somente ele, na situação, vale como mediador. Por Mino Carta


O papel da mídia nas decisões de voto

E agora leiam o que a mídia monopólio publicou:

Alckmin diz que Lula não tem compromisso com a verdade

Campanha do PSDB à Presidência passa do ataque à defesa

9:43 PM


{Terça-feira, Outubro 03, 2006}

 
Eleitores dão "licença para roubar", diz jornal


Resultado das eleições em SC

Apuração - Santa Catarina -
Resultado final (apuração encerrada) - Deputados Federais

Candidato Partido Votos % válidos
ANGELA AMIN (1133) PP 174.511 5,42
MAURO MARIANI (1570) PMDB 171.139 5,32
DJALMA BERGER (4515) PSDB 126.419 3,93
EDINHO BEZ (1515) PMDB 121.571 3,78
VIGNATTI (1340) PT 114.681 3,56
JOÃO MATOS (1598) PMDB 111.291 3,46
FERNANDO CORUJA (2323) PPS 108.430 3,37
DÉCIO LIMA (1313) PT 102.112 3,17
PAULO BORNHAUSEN (2570) PFL 98.863 3,07
GERVÁSIO SILVA (2580) PFL 95.864 2,98
PIZZOLATTI (1111) PP 89.373 2,78
ZONTA (1145) PP 88.813 2,76
CARLITO (1312) PT 83.769 2,60
NELSON GOETTEN (2511) PFL 79.667 2,47
VALDIR COLATTO (1516) PMDB 67.788 2,11

Citados em esquemas de corrupção:
Dentre os seis deputados catarinenses citados na lista de Furnas, que atribui recursos de caixa 2 a 156 denunciada pelo ex-deputado Roberto Jefferson em depoimento à Polícia Federal, quatro dse reelegeram.
Roberto Jefferson disse que recebeu R$ 75 mil da estatal em 2002, mesmo valor que teria sido entregue a cada um dos deputados catarinenses: Fernando Coruja (PPS), Gervásio Silva (PFL), João Pizzolatti (PFL), Odacir Zonta (PP), Paulo Bauer (PSDB) e Serafim Venzon (PSDB).

Os reeleitos:
GERVÁSIO SILVA - PFL - recebeu 95.864 votos
PIZZOLATTI - PP recebeu 89.373
ODACIR ZONTA - PP - recebeu 88.813 votos
FERNANDO CORUJA - PPS - recebeu 108.430 votos

Isso quer dizer que o povo catarinense anda muito mal informado o que não é novidade já que a RBS possui o monopólio das comunicações e é uma rede de faz-de-conta. Fazem de conta que fazem jornalismo.

9:19 PM

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